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A LINGUAGEM SIMBÓLICA DAS MÃOS ©

Atualizado: 25 de jun.

As mãos falam e todos sabemos que não é

pelo uso da palavra

Elas expressam-se usando a força do seu

movimento ou por via figurativa ou metafórica

Não há mãos a medir para elencar todo o

potencial encerrado em nossas mãos

Por isso o melhor é meter já mãos à obra

As mãos são capazes de dizer o que a voz

não pode ou não quer transmitir

E podem trair-nos revelando o que não

queremos ou não devemos verbalizar

Daí acontecer lavarmos as nossas mãos

daquilo de que nos queremos distanciar

Ou quando não nos queremos responsabilizar

por algo que sabemos estar errado

Tal como Pôncio Pilatos

Diz-se que temos o destino escrito

nas palmas das mãos

Mas quantas vezes deixamos que ele se

nos escape entre os dedos das próprias mãos

Damos uma bofetada sem mão quando

queremos usar a diplomacia para fazer

sentir a alguém o seu comportamento

errado

Mas ao darmos uma bofetada com mão

falamos de violência física e neste caso o

melhor é emendar rapidamente a mão

São as mãos que nos trazem ao mundo

Mas há quem morra às mãos de outrem que

exerceu pura maldade ou mera negligência

Se queremos dizer que tudo está bem basta

fechar a mão e levar o polegar ao ar

Quando estendemos as nossas mãos com

as palmas abertas na horizontal é sinal que

queremos acolher alguém de forma calorosa

Mas se o fizermos com as palmas das mãos

estendidas para fora na vertical estamos a

dizer basta, a mostrar um claro sentido

proibido

Com as mãos afagamos um animal de

estimação

E com as mãos acariciamos uma criança, um

idoso, um amigo ou um amor

Há ainda as mãos que curam, que aliviam o

sofrimento e a dor

Quando somos ingratos diz-se que cuspimos

na mão que nos deu de comer

E essa comida até pode ter sido feita por uma

cozinheira de mão cheia

Por vezes precisamos de arregaçar as mangas

e por as mãos na massa

Quando esfregamos o polegar no indicador

isso também é indicador de massa

Só que pôr as mãos nessa massa tem um

sentido radicalmente oposto ao primeiro

Em jeito de súplica levantamos as mãos ao

céu

E podemos abrir mão daquilo que já não

nos serve ou já não nos convém

Se queremos apontar para algo ou alguém

fechamos a mão e esticamos o indicador na

horizontal

Porém, se se trata de fazer uma advertência

ou uma ameaça é necessário que o indicador

fique na vertical

Nesse caso tendemos a projectá-lo bem

próximo do rosto do outro

As mãos podem ser de ouro quando são

habilidosas

E podem ser de fada quando são delicadas

e generosas

Mas quando queremos ver feita justiça o que

se exige é mesmo uma mão de ferro

Se alguma coisa nos chega de forma fácil

diz-se que foi conseguida de mão beijada

Mas quando não conseguimos levar uma

missão a bom porto por vezes temos que

pedir uma mãozinha emprestada

Se a ajuda está por perto é porque ela está

à mão de semear

Já se ela está distante então é porque está

fora de mão

Há mãos que constroem e há mãos que

destroem

E por vezes as mesmas mãos fazem

ambas as coisas

Se confiamos nos outros podemos até

colocar-nos nas suas mãos

Há coisas que passam de mão em mão

E há pessoas que levamos pela mão

Fechamos a mão esticando o indicador

e o médio quando cantamos vitória

Esticamos apenas o médio quando

queremos ser matreiros ou brejeiros

Diz-se que ao menino e ao borracho mete

Deus a mão por baixo

Se temos as mãos frias é porque temos o

coração quente

Quando alguma coisa não nos vai de feição

um alto e pára o baile com a mão esticada

ajuda a pôr os pontos nos í’s

Por vezes há que pôr a mão na consciência

não basta achar que uma mão lava a outra

e as duas lavam a cara

Nunca lavámos tantas vezes as mãos como

durante a última pandemia

Foi-nos dito que assim poderíamos salvar

vidas, as nossas e as alheias

Mas todos sabemos que a assepsia em

excesso nos pode dar cabo das defesas

E de mão na testa tentamos descortinar

o sentido de nos venderem uma ideia

seguida do oposto da mesma

É certo que quando não temos mão na

lógica fica tudo baralhado

Não sei se o poder das mãos deriva ou se

alimenta da interpretação artística do Génesis,

o primeiro livro da Bíblia

Que nos diz que do pó Deus criou o

primeiro homem

E que pelo contacto entre a mão direita do

Criador e a mão esquerda de Adão se acendeu

a centelha divina

Assim se criando a vida do homem à face da terra

Sempre sob o poder simbólico das mãos


A LINGUAGEM SIMBÓLICA DAS MÃOS ©

Helena Cavacas Veríssimo

24 Junho 2024

Arte: "A Criação de Adão", Michelangelo


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