Pode vender o seu tempo, mas não o pode comprar!

May 28, 2016

Todos nascemos apetrechados de uma incógnita - a dose de tempo que estará à nossa disposição, dito por outras palavras, a duração da nossa existência.

Durante a infância e adolescência essa noção passa-nos praticamente ao lado.

Há tanto a descobrir, tanto a aprender, que todos os minutos são avidamente vividos, não nos dando conta que o relógio começou a contar no dia em que fomos postos no mundo.  Queremos aproveitar todos os momentos e poucos dirão que não lhes deram bom uso. Bom uso no sentido literal do termo, não no sentido de termos feito as melhores escolhas, de o termos usado bem, passe a subjectividade do termo.

É quando nos tornamos jovens adultos que começamos a ter real noção do tempo.  Especialmente quando começamos a trabalhar, altura em que tomamos consciência que passamos a trocar o nosso tempo por dinheiro. Sim, o nosso tempo vale dinheiro.

Entramos, então, numa engrenagem da qual será difícil senão quase impossível sair.  Vendemos o nosso tempo e com o resultado dessa venda compramos os bens e serviços indispensáveis ao nosso estilo de vida.  As solicitações começam a ser cada vez mais.  Ao trabalho junta-se a vida familiar e social: marido, mulher, filhos, amigos e todo o circulo relacional em que estamos inseridos.  Rapidamente percebemos a importância da definição de prioridades.  
Rapidamente percebemos que melhor mesmo é começar a gerir bem uma das únicas coisas que podemos vender, mas que não podemos comprar: o tempo.

Mas será que conseguimos mesmo fazer essa gestão da melhor forma ? Quando entramos na tal engrenagem por vezes começamos a ter dificuldade em qualificar e priorizar as tarefas.

Por vezes nem realizamos que é imperioso fazê-lo.  

- São importantes ?

- Sao urgentes ?

- São importantes mas não urgentes ?

- São urgentes mas não importantes ?

- Não são importantes. nem urgentes ?

A que estamos realmente a dar a nossa atenção ?  

A que estamos realmente a alocar o nosso tempo ?

Quando pensamos neste assunto, por vezes damos conta que despendemos muito do nosso tempo com coisas que não são importantes nem são urgentes, desperdiçando ou mesmo esbanjando o nosso ativo mais precioso.

A propósito desta temática, li recentemente uma história muito interessante e que a retrata na perfeição:

Um dia, a um sábio professor de uma Universidade foi solicitado que desse, a um grupo de executivos de grandes multinacionais, uma formação de 60 minutos sobre gestão do tempo.  

Tendo em conta o limitado período que lhe era atribuído, o velho professor pensou que o melhor seria trabalhar com uma questão prática que todos entendessem e dificilmente esquecessem.  

Propôs então ao auditório uma experiência.  

Pegou num recipiente redondo de vidro, semelhante a um pequeno aquário, e encheu-o completamente de grandes pedras redondas.  Quando já não cabia mais nenhuma, perguntou aos alunos:

- Este vaso está cheio ?

Responderam, unanimemente:

- Sim, está cheio.

Então, o velho senhor, retirou da gaveta da secretária, uma caixa cheio de areia muito grossa, mais semelhante a cascalho.  Delicadamente, despejou o seu conteúdo para dentro do vaso.  O cascalho foi deslizando por entre as pedras e foi-se infiltrando até parecer não poder entrar mais.

Voltou a perguntar aos alunos:

- E agora, este vaso está cheio ?

Os executivos, sentindo-se apanhados desprevenidos com a primeira pergunta, balbuciaram:

- Bom, talvez não.

Divertido, o professor, baixou-se e apanhou um saco de fina areia. Mais uma vez, dirigiu-se ao vaso e deixou a areia cair suavemente, Utilizando os espaços entre as grandes pedras e o cascalho, a areia foi-se infiltrando até o vaso estar cheio.

- Agora o vaso está cheio, não acham ?

Cientes de que nada mais poderia entrar no vaso, os alunos responderam em uníssono:

- Sim, agora esté completamente cheio.

O professor olhou-os com ar maroto. 

Pegou, então, num copo de água. Lentamente, e para espanto da plateia, deixou que a água escorresse para dentro do vaso.  A água encontrou o seu espaço por entre os elementos sólidos até transbordar no vaso.

- Agora, parece que podemos dizer que o vaso está finalmente cheio, concordam ?

Os alunos concordaram, e um deles disse:

- Penso que percebo o que pretende transmitir.  É sempre possível encaixar nas nossas agendas mais algumas tarefas que aquelas que a preenchem, certo ?

- Na verdade não é isso o que pretendo demonstrar.  O que pretendo demonstrar é que se não colocarmos no vaso as grandes pedras em primeiro lugar, nunca mais conseguiremos fazê-lo.

Os alunos ficaram em silêncio a pensar na evidência da experiência.

- Quais são realmente as "pedras" da vossa vida (leia-se coisas importantes) ? Quais são os vossos valores mais importantes, aqueles aos quais não devem deixar de dedicar o vosso tempo ?  A vossa saúde, a vossa família, o vosso emprego, os vossos sonhos ?  Quais são as pedras angulares da vossa vida ?

- E quais são as coisas que vos tomam demasiado tempo e das quais podem realmente prescindir pois não trazem nada de construtivo às vossas vidas (leia-se coisas não importantes e não urgentes) ?

Os alunos ficaram a refletir nas palavras do professor entendendo a importância da mensagem."

Podemos sempre vender o nosso tempo, mas se não o podemos comprar e atendendo a que ele é finito, o melhor mesmo é olhar para as nossas vidas e perceber o que é realmente importante e qual a ordem, a prioridade que devemos atribuir a cada situação, pois que uma vez o vaso cheio de areia e água, não sobrará espaço para ali colocar as grandes pedras, ie as coisas verdadeiramente importantes.

Nem espaço nem tempo.

 

 

 

 

 

 

 

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